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A Pastoral da Juventude Estudantil, bem como as demais Pastorais da Juventude do Brasil, é fruto da Ação Católica (AC) – movimento idealizado para favorecer a participação popular na construção de “Outro Mundo Possível”. Em princípio, constituiu-se uma Ação Católica Geral (1932 – 1950). A posteriori, percebendo-se que a formação levada a cabo deveria estar em sintonia com as especificidades do meio na qual estava inserida, a ação teve seus contornos alterados. Um mesmo modelo que era adotado para o trabalho pastoral na fábrica dificilmente teria pertinácia para ser utilizado na escola, no campo e assim por diante. Nesse sentido surge a Ação Católica Especializada (1950 – 1966), para melhor encarar os desafios propostos por diferentes realidades. Os jovens tiveram um papel de destaque na concretização da ACE e formaram-se grupos específicos - JAC (Juventude Agrária Católica), JEC (Juventude Estudantil Católica), JIC (Juventude Independente Católica), JOC (Juventude Operária Católica) e JUC (Juventude Universitária Católica) – abrindo caminho para a efervescência das CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base). Contudo, o Golpe de 1964 promoveu a caçada às diversas lideranças contrárias ao Regime Militar, matando, inclusive, uma série de organizações juvenis, dentre as quais aquelas que integravam a ACE. A partir deste cenário, o que restaram foram grupos isolados e vigiados pelo terror dos “anos de chumbo”, não bastasse os “desaparecimentos” e as prisões de seus quadros. No início da década de 1980 as lutas pela redemocratização vivem seu momento mais intenso. Nesse contexto, um grupo de estudantes de Goiânia ligado à JEC toma a iniciativa de retomar a articulação nacional. Assim, realizou-se o a 1ª Reunião Nacional, de 08 a 11 de julho de 1982, com 14 pessoas vindas do Pará, de Goiás e São Paulo, ocorrida no Colégio Marista de Goiânia. Trocaram experiências sobre a organização dos estudantes secundaristas, analisando o acúmulo da JEC e traçando linhas comuns para a formação de uma “Pastoral Secundarista”. A 2ª Reunião Nacional ocorre no ano seguinte, no mesmo local e, desta vez, aprofundaram-se estudos sobre a identidade, a pedagogia e a espiritualidade da Pastoral Secundarista, com ênfase no método VER – JULGAR – AGIR. Para o fortalecimento da base e a formação de novos grupos definiu-se uma equipe de Articulação e uma Secretaria Nacional, sediada em Goiânia, na casa do estudante Adriano Neves de Brito. De 9 a 11 de Julho de 1984, ocorreu a 3ª Reunião Nacional com a participação de representantes de 10 unidades federativas – RS, PR, SC, SP, GO, AM, PI, RJ, MG e MT - e do DF, além de dois assessores, Ir Leônidas Fávero e Pe. Jorge Boran. A partir daí já começa a ganhar força a idéia de “pastoral orgânica”, o que foi decisivo para que o movimento passasse a se chamar Pastoral da Juventude Estudantil e integrar, em conjunto com as demais Pastorais da Juventude do Brasil – Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) - a Coordenação Nacional da PJ Orgânica, sendo representada nesse espaço pelo jovem Ricardo Caixeta. O 4º Encontro Nacional (julho de 1985, Brumadinho – MG), com 71 delegados, foi palco de discussões sobre identidade, pedagogia, assessoria, espiritualidade, nucleação – iniciação – militância, relação com o Movimento Estudantil e conjuntura educacional. Foi definido um mutirão para que se elaborassem os Cadernos da PJE, aprovados no ano seguinte, com o objetivo de sistematizarem-se as experiências. Enquanto o final da década de 1980 marcou a convicção de que a PJE isolada do Movimento Estudantil e sem um trabalho de base não tinha sentido, o advento dos anos 1990 parecem denotar o impacto da onda neoliberal na mobilização estudantil. A PJE, como não poderia deixar de ser, dá sinais de estar sendo afetada pela nova conjuntura. Nesse intervalo já tinham se realizado o 5º Encontro Nacional (1987), dois Seminários Nacionais (janeiro e julho de 1988) – atividade de caráter formativo - e o 6º Encontro Nacional (1989). Sabe-se que a expansão do projeto pelo território nacional começava a esbarrar em questões como falta de assessoria e de apoio, inclusive financeiro. Mesmo assim, os jovens da PJE tiveram importante participação na fileira dos “caras pintadas” em 1992. No ano seguinte ocorre a 7ª Assembléia Nacional, adiada desde 1991 devido às fragilidades de uma estrutura nacional desprovida de recursos mínimos. Em 1995 a PJE realizava sua 8ª Assembléia Nacional (AN) em Barbacena – MG, cujo tema foi “Estudante, semeando a vida para celebrar o novo” e o lema “Na esperança do novo, ousamos ser diferentes”. Nesta instância foi aprovado o 1º Marco Referencial, intitulado “Quem Somos? A que Viemos?”, publicando-se 3 mil exemplares. A PJE estava mais madura e sua articulação com as demais PJ’s se mostrou fundamental. Em 1996 realizou-se o 4º Seminário Nacional de Militantes da PJE em Itaipava – RJ. Seu tema era “O Jovem Político na Escola” e o lema “Pra acontecer depende de você”, participando 58 pessoas. A partir deste evento houve a nucleação de novos grupos e a retomada da articulação de outros em alguns setores regionais, chegando-se a 250 núcleos. Nesse momento a PJE também contava com uma publicação informativa no Brasil, chamada “Um Novo Sol”. Completando 15 anos em 1998, a PJE definiu seu plano de ação, formação e espiritualidade na 9ª AN, além de apoiar e participar da Marcha Pelo Brasil e elaborar uma Carta Aberta manifestando sua indignação perante o sistema educacional vigente, enviada ao Jornal Juventude e demais meios a que se tinha acesso. A história da PJE, ainda que também machucada por muitos percalços, carrega a alegria de se ter lançado em 2000 a Semana do Estudante, realizada na semana do dia 11 de agosto, quando foi assassinado o estudante Edson Luís, com o tema “Educação Libertadora, início da cidadania”, estimulando o envolvimento nos Grêmios Estudantis. Nesse período a PJE também participou da resistência ao neoliberalismo através do Plebiscito Nacional sobre a dívida E(x)terna e em 2001 marcou presença no 1º Fórum Mundial de Educação em Porto Alegre – RS. Nesse momento já estava clara a dificuldade de os regionais promoverem atividades formativas em suas escalas, sobretudo devido às dificuldades financeiras e, consequentemente, à não formação contínua de lideranças. Celebrando seu Júbilo de 20 anos, em 2002, a PJE teve militantes presentes no Plebiscito Nacional sobre a ALCA promovendo debates sobre a ALCA e a educação. A participação se repetiu em 2003 no II Fórum Mundial da Educação, no III Fórum Social Mundial e no Acampamento Intercontinental da Juventude, todos em Porto Alegre – RS, com a presença de jovens de SP, MA, RJ e, é claro, dos gaúchos. A 12ª ANPJE aprovou seu Marco Referencial mais recente e o publicou em 2004. Desde então foi realizado o 8º Seminário Nacional de Militantes da PJE em 2005, com o objetivo de oferecer formação sobre a temática das Políticas Públicas para a Juventude, e a Reunião Ampliada, em janeiro deste ano, feita em SP na impossibilidade de realização da 13ª ANPJE. A mesma realizou-se em Janeiro de 2008 em Vargem Grande – SP, com a participação de 36 delegados que deliberaram sobre a estrutura e organização da PJE iluminados pela passagem “Menina, levanta-te” (Mc 5,41). Durante esses 25 anos a Pastoral Juventude Estudantil passou por várias mudanças, porém, jovens e adultos continuam a se apaixonar por esse trabalho e se empenham cada vez mais na construção da civilização do amor, um projeto de todos. Pois é essa “estranha mania de ter fé na vida” que nos move a construir um mundo mais justo e cristão. Bibliografia: Marco Referencial da PJE Contribuição: Sarah Oliveira
Jubileu de Prata PJE: 25 anos profetizando a esperança A Pastoral da Juventude Estudantil está completando, em 2007, 25 anos de existência. É um momento de alegria, comemoração e de olharmos para nossa história e percebermos o belo caminho já trilhado. Somos fruto da Juventude Estudantil Católica (JEC), um dos grupos da Ação Católica Especializada que existiu de 1950 a 1968. Com o Golpe Militar de 1964, inicia-se a repressão às organizações juvenis, com seus militantes presos, torturados, assassinados ou exilados. A Ação Católica não foge à regra e, assim, sua organização é extinta. Mas sua história, metodologia e prática não acabam por aqui. A PJE nasce em julho de 1982, como união de diversas iniciativas de organização dos estudantes secundaristas enquanto Igreja. O primeiro momento é de aprofundar o estudo sobre a identidade, pedagogia, espiritualidade, articulação e ação, montando também suas estruturas de apoio, tendo sempre como referência a experiência da JEC. Começa-se então a pensar sobre a conjuntura brasileira, o sistema educacional, o movimento estudantil... Essa análise crítica da realidade e propositiva de ações que mobilizem o jovem a construir uma nova sociedade a partir da escola e da educação norteiam a vida da PJE nesses 25 anos. Em 1987, aprovava-se nosso primeiro marco teórico: os Cadernos da PJE. Em 1995, é a vez do Marco Referencial "Quem somos? A que viemos?", construído em mutirão. E em 2004, finaliza-se o Marco Referencial: "Nossa Vida, Nossos Sonhos". Debates sobre a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases e a posição da CNBB em relação à educação, expressa no documento Educação, Igreja e Sociedade, assim como as Campanhas da Fraternidade sobre Juventude em 1992 e Educação em 1998 movimentaram a PJE. O envolvimento em atividades como o Plebiscito Nacional sobre a Dívida E(x)terna (2000) e sobre a Área de Livre Comércio das Américas – ALCA (2002); nas edições brasileiras do Fórum Mundial de Educação (2001 e 2003) e Fórum Social Mundial (2001, 2002, 2003 e 2005); e no Conselho Mundial de Igrejas (2006) revela a disposição de fazer o novo acontecer. Nossa articulação com as Pastorais da Juventude ajudava a fortalecer a ação, assumindo a Semana da Cidadania e Dia Nacional da Juventude como atividades. Em 2003, acontece a primeira edição nacional da Semana do Estudante, assumida como permanente pelas Pastorais da Juventude do Brasil. Estamos na sua quinta edição e, a cada ano, trazemos temas que estão presentes na realidade do jovem estudante. Com isso, queremos refletir criticamente, desencadear ações locais transformadoras e celebrar, de forma ecumênica, a luta dos estudantes. Convidamos todos a fazer da realização da Semana do Estudante um momento de comemoração dessa história. Também podemos realizar celebrações, encontros, festivais de cultura, vigílias, etc. São 25 anos profetizando a esperança entre os jovens estudantes. Foram muitas atividades, reuniões, encontros, assembléias, celebrações, mobilizações. Foram muitos percalços no caminho, muitas alegrias e conquistas. Foram muitos militantes e assessores que assumiram e testemunharam o projeto de Jesus Cristo, construindo-o também no mundo estudantil. São 25 anos profetizando a esperança entre os jovens estudantes. Profetizar é denunciar a realidade de morte e anunciar o mundo novo que vai surgindo a partir de nossa ação. Nossa esperança é na capacidade do jovem protagonista de modificar a escola e a educação, na transformação da realidade e na construção da Civilização do Amor. Profetizamos a esperança porque é esta nossa missão, o de ser sal da terra e luz do mundo entre os jovens estudantes! |