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Pós-médio
Uma das questões que vêm sendo bastante discutidas pelos militantes da PJE, sobretudo em instâncias nacionais, diz respeito às propostas para o jovem que, concluindo o Ensino Médio, vê como caminho natural a porta de saída da PJE. Isto decorre de nossa preocupação com a problemática, representada numa fala bem-humorada que ouvi na Reunião Ampliada realizada em janeiro deste ano: “Até quando vamos continuar preparando ótimas noivas para os outros casarem?”. Sendo assim, a questão do pós-médio, dentre outras, faz parte da agenda da Equipe Nacional - e isto não significa que seremos vanguarda na busca de caminhos para a solução dos problemas, já que acreditamos não ser esta a maneira correta de atuar. Portanto este texto visa, tão somente, iniciar um debate, acreditando que nossa responsabilidade na caminhada pastoral vai muito além da indicação de nomes para estar à frente seja da coordenação regional, seja da secretaria nacional. Aliás a forma como vem funcionando a “democracia brasileira” nos serve de mau exemplo de participação e, consequentemente, de representação. Vem predominando o que é mais cômodo: escolher alguém com quem não temos compromisso nenhum e, se der errado, reclamamos – a participação se reduz ao voto (obviamente não se questiona aqui que vivemos uma realidade de ignorância provocada, alienação, como queira, e nem que a educação pública de qualidade é condição sine qua non para a mudança). Mas certamente isto não se reproduzirá no seio da PJE. Retomando o tema, após essa ligeira e superficial reflexão, consideremos um novo elemento nesse debate nacional: a primeira reunião da Equipe Nacional. Em meio ao trabalho intenso do fim de semana e muitos assuntos para tratar, houve um momento em que refletimos sobre a questão “para que formamos militantes? Para militarem em que e como?” Percebemos que talvez houvesse uma relação entre a resposta – ou a falta de resposta – desta pergunta e o dilema do pós-médio. Nesse sentido, no decorrer de nossa reunião, ao retornarmos ao assunto, a partir da fala da jovem do Sul 3, Tábata, sobre a experiência no Rio Grande do Sul com um grupo de animadores, formado justamente por jovens que concluíram o Ensino Médio, despertamos para uma possível resposta para a questão colocada no parágrafo anterior que não visa de maneira alguma esgotá-la: formamos militantes para que estes sejam agentes de transformação da realidade a partir do meio específico da educação e de formação de novos militantes, com _base_ na proposta do Reino de Deus e animados por Jesus Cristo. Neste contexto, passamos a defender a criação de grupos de militantes a partir destes jovens que, tendo criado laços fortes com a PJE devido a uma formação processual e sem queima de etapas, dispõem de raízes fortes o suficiente para não serem arrancados da PJE pelo fim de sua passagem na Escola. O grupo de militantes seria um espaço que contribuiria para a diminuição da “expulsão natural” que ocorre, não pretendendo ser a única alternativa para o “caso pós-médio”. Nosso sonho é que o jovem da PJE que ainda está na Escola veja o grupo de militantes como uma etapa a ser alcançada – até brincamos sobre a criação de uma expectativa no jovem querer integrar a “Cúpula do Trovão” - o que reverteria o quadro de evasão. Questões práticas, como o próprio nome do grupo, o local das reuniões etc. foram discutidas. Pe. Toninho alertou para o desgaste do termo militante, contudo Tábata e eu o preferimos. Acerca do local das reuniões, entendemos que não seja um grande impasse, mesmo nos casos em que a escola não permitisse a reunião de ex-alunos em seu espaço, pois os jovens podem se reunir em suas casas ou em qualquer outro lugar, tornando o local uma questão menor. Vale enfatizar que a coordenação do grupo partiria de um integrante do próprio e que este não seria um grupo sem assessoria, mesmo que não fosse necessário o assessor estar presente em todas as reuniões. Diante das dificuldades enfrentadas pela PJE, entendemos o grupo de militantes não como mais um problema para nos preocupamos, mas sim como um dos caminhos para superar obstáculos como a evasão no pós-médio, bem como a falta de lideranças e assessores (recursos humanos) para a expansão e melhoria dos trabalhos. À disposição, Caio Andrade Bezerra da Silva (Rio de Janeiro)
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