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MATERIAL DE PREPARAÇÃO DO 9º SNMPJE (1 visualizando) (1) Visitantes
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TÓPICO: MATERIAL DE PREPARAÇÃO DO 9º SNMPJE
#12
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MATERIAL DE PREPARAÇÃO DO 9º SNMPJE 2 Anos ago Karma: 1  
MATERIAL DE PREPARAÇÃO

É praticamente impossível estudar e debater a militância pastoral/ cristã sem ter em vista a relação entre fé e política. Nesse sentido, sugere-se aqui o aprofundamento desta temática aos/às militantes e assessores/as da PJE no Brasil, sobretudo aqueles/as que irão participar do 9º SEMINÁRIO NACIONAL DE MILITANTES DA PASTORAL DA JUVENTUDE ESTUDANTIL, com vistas a um melhor aproveitamento desta atividade.
Para tanto, neste material você irá encontrar textos que o ajudarão a refletir sobre a militância pastoral/ cristã em geral, principalmente sob o ângulo da relação “fé e política” (textos 1 e 2), e, mais especificamente, sobre a militância na PJE e sua continuidade depois do Ensino Médio (texto 3).
É importante lembrar que a reflexão sobre os textos a seguir deve ser feita não só no plano pessoal: o presente material é uma modesta ferramenta para que se faça a reflexão também nas _base_s (item “QUESTÕES PARA A REFLEXÃO”).
Além disso, os textos aqui selecionados nem de perto esgotam os temas em questão; ao contrário, são só um ponto de partida, uma leitura mínima, e, portanto, fiquem à vontade para pesquisar e discutir outros textos, materiais, etc.
Bons estudos!
Equipe Nacional da PJE


TEXTO 1

Fé e política:
Como se relacionam

Leonardo Boff

Há dois tipos de política. Uma escrita com P maiúsculo e outra com p minúsculo. Ou então a Política social (P) e a política partidária (p).
1. Política social (P)
É tudo o que diz respeito ao bem comum da sociedade; ou então é a participação das pessoas na vida social. Assim por exemplo, a organização da saúde,da rede escolar, dos transportes, a abertura e a manutenção de ruas, de água e esgoto etc., têm a ver com política social. Lutar para conseguir um posto de saúde no bairro, se unir para trazer a linha de ônibus até no alto do morro, participar de uma manifestação no centro da cidade pela reforma agrária, pelo solo urbano, contra a violência policial, é fazer política social. Essa política visa o bem comum de todos ou de um grupo, cujos direitos estão sendo desrespeitados. Definindo de forma breve podemos dizer: política social ou Política com P maiúsculo significa a busca comum do bem comum.
2. Política partidária (p)
Significa a luta pelo poder de estado, para conquistar o governo municipal, estadual e federal. Os partidos políticos existem em função de se chegar ao poder, seja para mudá-lo (processo revolucionário) , seja para exercê-lo assim como se encontra constituído (governar o estado que existe). O partido, como a palavra já o diz, é parte e parcela da sociedade não toda sociedade. Cada partido tem por trás interesses de grupos ou de classes que elaboram um projeto para toda a sociedade. Se chegarem ao poder de estado (governo) vão comandar as políticas públicas conforme o seu programa e sua visão partidária dos problemas.
Com referência à política partidária, é importante considerar os seguintes pontos:
-ver qual é o programa do partido;
-ver como o povo entra neste programa: se foi discutido nas _base_s; se atende aos reclamos históricos do povo; se prevê a participação do povo, mediante seus movimentos e organismos, na sua concepção, implementação e controle;
-ver quem são os candidatos que representam o programa: que biografia têm, se sempre mantiveram uma ligação orgânica com as _base_s,se são verdadeiramente aliados e representantes das causas da justiça e da mudança social necessária ou se querem manter as relações sociais assim como são, com as contradições e até injustiças que encerram.
Bastam estes poucos critérios para se perceber o perfil do partido e dos candidatos, de direita (se querem manter inalterada a relação de forças que favorece os que estão no poder), de esquerda (se visam mudanças estruturais que marginalizam as grandes maiorias) ou de centro (os partidos que se equilibram entre a esquerda e a direita, procurando sempre vantagens para si e os grupos que representam) .
Por ser parte e não toda a sociedade, a política partidária é, por si mesma, conflitiva; os políticos são adversários, não inimigos, porque têm projetos e programas diferentes. Mas tem que ficar claro aquilo que Max Weber disse em seu famoso texto A Política como Vocação: «Quem faz política busca o poder. Poder, ou como meio a serviço de outros fins ou poder por causa dele mesmo, para desfrutar do prestígio que ele confere». Esse último modo de poder político foi exercido historicamente por nossas elites a fim de se beneficiar dele, esquecendo o sujeito de todo o poder que é o povo.
3. A fé e sua dimensão política
A fé tem a ver com Deus e sua revelação. Mas ela está dentro da sociedade e é uma das criadores de opinião e de decisão. Ela é como uma bicicleta; possui duas rodas mediante as quais se torna efetiva na sociedade: a roda da religião e a roda da política.
A roda da religião se concretiza pela oração, pelas celebrações, pelas pregações e pela leitura das Escrituras. Por esses meios se formam as convicções que estão na _base_ de decisões concretas.
A segunda roda é a da política. A fé se expressa pela prática da justiça, da solidariedade, da denúncia das opressões. Como se vê, política aqui é sinônimo de ética. Temos que aprender a nos equilibrar em cima das duas rodas para poder andar corretamente.
A Bíblia considera a roda da política (ética) como mais importante que a roda da religião como culto (cf Mt 7,21-22; 9,13; 12,7; 21,28-31; Gl 5,6; Tg 2,14). Sem a ética, a fé fica vazia e inoperante. São as práticas e não as prédicas que contam para Deus. Não adianta dizer «Senhor, Senhor» e com isso organizar toda uma celebração; mais importante é fazer a vontade do Pai que é amor, misericórdia, justiça, coisas todas práticas (cf Mt 7,21), portanto, éticas, como participar de uma manifestação operária, entrar num sindicato ou num grupo de direitos humanos.
Há muitas relações da política com a fé e vice-versa como, por exemplo, com o Estado, com a hierarquia da Igreja, com as comunidades de _base_ e com os leigos. Queremos analisar a relação da fé com o cidadão individual e depois com o cristão leigo militante.
4. Fé, política e cidadão individual
No nível concreto, fé e política se encontram juntas na vida das pessoas. A política é uma dimensão da fé concreta da pessoa na medida em que vive a fé nas suas duas rodas: fé como culto e fé como ética, como prática de justiça e como espiritualidade. A fé inclui a política, quer dizer, um cristão pelo fato de ser cristão, deve se empenhar na justiça e no bem-estar social; também deve optar por programas e pessoas que se aproximem o mais possível àquilo que entendeu ser o projeto de Jesus e de Deus na história.
Mas a fé transcende a política, porque a fé se refere também à vida eterna, à ressurreição da carne, à transformação do universo, coisa que nenhuma política social e nenhum partido ou estado podem prometer. Nós queremos uma sociedade justa e fraterna e ao mesmo tempo queremos a ressurreição da carne e a vida sem fim e feliz por todo o sempre. Mas a fé não é somente boa ao nos apresentar uma promessa, é boa também para inspirar uma sociedade humana, justa e tolerante.
A passagem da fé à política partidária não é direta. Quer dizer, do evangelho não se deduz diretamente o apoio a um determinado partido e o dever de votar numa pessoa, nem quanto deve ser o salário mínimo. O evangelho não oferece soluções, mas inspirações para que se possa escolher bem um partido e criar um salário digno. Mas para isso precisa-se de ferramentas adequadas de análise da realidade social, de movimentos e instituições, partidos e programas que permitem dar corpo à fé como prática ética.
5. Fé, política e leigo militante
O leigo é membro do Povo de Deus e da comunidade cristã. É um cidadão qualificado pela fé e pela militância. Iluminado por sua fé, pode e deve fazer política partidária. Portanto, nada de receber ordens dos bispos e dos padres para apoiar determinado partido (política cristã). A política deve ser laica e não clerical. A fé cristã e o evangelho oferecem critérios de orientação política, como alguns dos quais queremos enumerar.
- uma política libertadora: não basta reformar a sociedade que está aí; importa um outro modelo de sociedade que permita mais inclusão mediante a participação, a justiça social e a dignidade; ora, a libertação quer tal projeto, coisa que uma simples reforma não consegue;
- uma política libertadora a partir das maiorias pobres e excluídas: deve começar bem em baixo, pois assim não deixa ninguém de fora; se começar pelos assalariados ou pela burguesia, deixa de fora, de saída, quase _meta_de da população excluída.
- uma política libertadora que use métodos libertadores, quer dizer, que use processos participativos do povo, de baixo para cima e de dentro para fora; essa política pretende outro tipo de democracia: não apenas a democracia representativa/ delegatícia (em cada quatro anos temos o direito de eleger um presidente e delegar-lhe poder, sem voltar a controlá-lo) mas uma democracia participativa pela qual o povo com suas organizações ajuda a discutir, a decidir e a resolver as questões sociais. Por fim uma democracia sócio-cósmica que incorpore como cidadãos com direitos de serem respeitados a Terra, os ecossistemas e os seres da criação com os quais mantemos relações de interdependência.
- uma política que use meios transparentes que os poderosos dificilmente podem usar, como a verdade, a resistência ativa, a razão solidária. Para a criação de uma sociedade justa e pacífica, os meios devem ser também justos e pacíficos...
A militância exige competência, conhecimento da realidade social e também uma espiritualidade adequada para perceber os dons do Reino se realizando no mundo na medida em que há mais dignidade e melhor qualidade de vida. Em função disso, surgiu em muitas dioceses o Movimento Fé e Política, que visa melhorar a participação dos cristãos no campo da política (estudando e se reciclando) e no campo da fé (alimentando a mística e aprofundando teologicamente as questões).
Conclusão: a memória perigosa de Jesus
Os cristãos não devem nunca esquecer que somos herdeiros da memória perigosa e libertária de Jesus. Por causa de seu compromisso com o projeto do Pai e com os humilhados e ofendidos de seu tempo, foi um perseguido, feito prisioneiro político, foi torturado e condenado na cruz, o pior castigo político-religioso de seu tempo. Se ressuscitou foi para, em nome do Deus da vida, animar a insurreição contra uma política social e partidária que penaliza o povo, especialmente os mais pobres, e elimina os profetas e pregadores de uma justiça maior, e reforçar a todos que querem uma sociedade nova com uma relação libertadora para com a natureza, para com todos e para com Deus.

Disponível em
http://servicioskoi nonia.org/ agenda/archivo/ portugues/ listobras. php?ncodigo= 19








TEXTO 2
Mística, fé e política

Frei Betto

«Não há nada mais político do que dizer que a religião nada tem a ver com a política», diz o bispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz. Na América Latina, não se pode separar fé e política, como não seria possível fazê-lo na Palestina do século I. Na terra de Jesus, detinha o poder político quem tinha em mãos também o religioso. E vice-versa.
O fato de fé e política estarem sempre associadas em nossas vidas concretas, como seres sociais que somos - ou animais políticos, na expressão de Aristóteles - não deve constituir uma novidade senão para aqueles que se deixam iludir por uma leitura fundamentalista da Bíblia, que pretende desencarnar o que Deus quis encarnado.
Nem mesmo em Jesus é possível ignorar a íntima relação entre fé e política. Que Jesus tinha fé sabemos pelos textos que falam dos longos momentos que passava em oração. O Evangelho nos fala até mesmo das crises de fé de Jesus, como as tentações no deserto e o abandono que sentiu na agonia no Horto.
Há quem insista que Jesus se restringiu a comunicar-nos uma mensagem religiosa que nada tem de política ou ideológica. Tal leitura só é possível se for reduzida a exegese bíblica à pescaria de versículos, arrancando os textos de seus contextos. Não só o texto revela a Palavra de Deus, também o contexto social, político, econômico e ideológico, no qual se desenrolou a prática de Jesus. Todos nós, cristãos, somos discípulos de um prisioneiro político. Mesmo que na consciência de Jesus houvesse apenas motivações religiosas, sua aliança com os oprimidos, seu projeto de vida para todos, tiveram objetivas implicações políticas. Por isso não morreu na cama, mas na cruz, condenado por dois processos políticos.
Marcos mostra como as curas operadas por Jesus - o homem possuído do espírito mau, a sogra de Pedro, os possessos, o leproso, o paralítico, o homem de mão aleijada - desestabilizaram de tal modo o sistema ideo-lógico e os interesses políticos vigentes, que levaram dois partidos inimigos - dos fariseus e herodianos - a fazerem aliança para conspirar em torno de «planos para matar Jesus». As implicações políticas da ação de Jesus tornaram-se tão ameaçadoras que induziram Caifás, em nome do Sinédrio, a expressar «melhor que morra apenas um homem pelo povo do que deixar que o país todo seja destruído».
Mística e política
Predomina entre muitos cristãos a idéia de que a mística nada tem a ver com a política. Seriam como dois elementos químicos que se repelem. Basta observar como vivem uns e outros: os místicos, trancados em suas estufas contemplativas, alheios aos índices do mercado, absorvidos em exercícios ascéticos, indiferentes às discussões políticas que se travam em volta deles. Os políticos, correndo contra o relógio, mergulhados no redemoinho de contatos, análises e decisões, sem tempo sequer para o convívio familiar, quanto mais para a meditação e a oração!
Não é no Evangelho que se encontram as raízes desse modo de testemunhar o absoluto de Deus, mas sim em antigas religiões pré-cristãs e nas escolas filosóficas gregas e romanas, que proclamavam a dualidade entre alma e corpo, natural e sobrenatural, sagrado e profano. É interessante constatar que grandes místicos foram simultaneamente pessoas mergulhadas na efervescência política de sua época: Francisco de Assis questionou o capitalismo nascente; Tomás de Aquino defendeu, em O regime dos príncipes, o direito à insurreição contra a tirania; Catarina de Sena, analfabeta, interpelou o papado; Teresa de Ávila, revolucionou, com são João da Cruz, a espiritualidade cristã.
A vida de Jesus não busca a reclusão dos monges essênios e nem se pauta pela prática penitencial de João Batista. Engaja-se na conflitividade da Palestina de seu tempo. O Filho revela o Pai ao acolher pobres, famintos, doentes e pecadores; desmascarar escribas e fariseus; cercar-se de multidões; fazer-se presença incômoda nas grandes festas em Jerusalém.
Dentro dessa atividade pastoral, com fortes repercussões políticas, Jesus revela-se místico, ou seja, alguém que vive apaixonadamente a intimidade amorosa com Deus, a quem trata por «Abba» - termo aramaico que exprime muita familiaridade, como o nosso «papai». Seu encontro com o Pai não exige o afastamento da pólis, mas sim abertura de coração à vontade divina.
Fé politicamente encarnada
Na América Latina, vive-se hoje num contexto de opressão/libertaçã o. Não se pode imaginar aqui uma vivência cristã politicamente neutra ou capaz de unir religiosamente o que as relações econômicas injustas contrapõem antagonicamente. Para nós cristãos latino-americanos, comprometidos com o projeto do Deus da Vida, a existência da pobreza massiva nos exige, em nome da fé, uma tomada de posição.
Tal realidade comprova que o projeto de justiça e felicidade proposto por Deus ao ser humano, descrito no Gênesis, foi rompido pelo pecado. As vítimas dessa ruptura são principalmente os pobres. Por isso Jesus se colocou ao lado deles. Não o fez por serem os pobres mais santos ou melhores que os ricos, mas simplesmente porque são pobres - e a existência coletiva de pobres não estava prevista no projeto original de Deus, pelo qual todos deveriam partilhar os bens da Criação e viver como irmãos e irmãs.
Ninguém escolhe ser pobre. Todo pobre é vítima involuntária de relações injustas. Por isso os pobres são chamados bem-aventurados, pois nutrem a esperança de mudar tal situação, de modo que a justiça de Deus prevaleça.
Assim, a vivência da fé cristã na América Latina supõe inevitavelmente um posicionamento político. Seja do lado das forças de opressão, como o fazem aqueles que condenam a violência política dos oprimidos, sem se perguntarem pelos mecanismos de violência econômica do capitalismo; seja do lado das forças de libertação, como todos nós que comungamos a opção pelos pobres.
Há cristãos que sinceramente percebem os sintomas - a miséria, as enfermidades, a morte prematura de milhões - e não chegam a descobrir as causas de tais problemas sociais. Em geral, tais pessoas e setores ocupam o lugar social reservado àqueles que usufruem de privilégios sociais e/ou patrimoniais, como detentores da propriedade privada de bens simbólicos e/ou materiais. Estes elaboram uma teologia que procura legitimar os mecanismos de dominação através do seqüestro da linguagem, promovendo-a à esfera da abstração, como se o discurso religioso pudesse, de alguma forma, deixar de ser também político.
A teologia que hoje se produz na América Latina a partir dos pobres - conhecida como Teologia da Libertação - assume conscientemente sua incidência política e suas mediações ideológicas. Não nasce do limbo acadêmico das universidades ou das bibliotecas, mas sim da luta de milhares de Comunidades Eclesiais de _base_ que fertilizam a nossa fé com o sangue de inúmeros mártires.
Hoje, as mudanças no Leste europeu obrigam a Teologia da Libertação a revisar sua concepção de socialismo e a rever os fundamentos do marxismo. Não se trata apenas de um esforço teórico para separar o joio do trigo, mas sobretudo restaurar a esperança dos pobres e abrir um novo horizonte libertário à luta da classe trabalhadora. Ignorar a profundidade das atuais mudanças é querer tapar o sol com a peneira. Admitir o fracasso completo do socialismo real é desconhecer suas conquistas sociais - sobretudo quando consideradas do ponto de vista dos países pobres -, e aceitar a hegemonia perene do capitalismo. É preciso detectar as causas dos desvios crônicos dos regimes socialistas e redefinir o próprio conceito de socialismo.
A fé abre-nos ao imperativo da vida, mas não oferece mediações analíticas e instrumentos políticos necessários à construção do projeto de fraternidade social. As importantes contribuições das ciências políticas não podem ser ignoradas pela reflexão teo-lógica latino-americana se queremos compreender os mecanismos que excluem milhares de pessoas dos direitos fundamentais à vida. E a contribuição das teorias econômicas e sociais à teologia não ameaça a integridade de nossa fé, pois não se pode aceitar o marxismo, por exemplo, como religião, ou a fé cristã como mera ideologia.
A crítica marxista à religião serve à purificação da fé e da vivência cristãs. O Deus no qual cremos não é o mesmo que o marxismo nega, pois não cremos no deus do capital, das torturas ditatoriais ou das idolatrias modernas. Cremos no Deus da vida anunciado por Jesus. Deus que exige justiça para todos e quer libertar também os opressores de sua condição de artífices da injustiça.
É o pobre, como sacramento de Deus, que em nosso Continente dilata as fronteiras da Igreja e faz da política e da ideologia versões profanas, porém teologais, do discurso teológico, quando proferidos desde seus interesses. E ainda que a fé não seja tão forte a ponto de transportar montanhas, ao menos fica a certeza de que o amor, refletido nas práticas libertadoras, nos faz todos participantes da comunhão total.

Disponível em
http://servicioskoi nonia.org/ agenda/archivo/ portugues/ listobras. php?ncodigo= 20




QUESTÕES PARA A REFLEXÃO
a) Enquanto militantes da PJE, como estamos vivenciando a relação entre fé e política, pessoal e coletivamente, na perspectiva dos textos propostos?
b) A partir da discussão da questão “a”: como deveria ser nossa atuação pastoral?
c) No penúltimo parágrafo do texto 1, o autor afirma que “a militância exige competência, conhecimento da realidade social e também uma espiritualidade adequada para perceber os dons do Reino se realizando no mundo na medida em que há mais dignidade e melhor qualidade de vida.” Assim, como avaliamos nossa situação diante das exigências da militância, destacadas no texto?









O Pós-médio na PJE

Os grupos de jovens da PJE têm um tempo de vida; não são eternos. Normalmente duram até o 2º ano do ensino médio, porque o 3º ano é hora de estudar pro vestibular e depois, cada um segue a sua vida. Ou seja, quando os jovens completam 17 ou 18 anos saem da PJE. Poucos jovens, depois que se desvinculam do grupo e da escola, seguem militando em algum espaço de luta social e/ou eclesial.
Entendemos que uma das missões que a PJE assume enquanto igreja profética e libertadora é a formação de jovens militantes, agentes da transformação a partir do meio específico e, formadores de novos militantes, _base_ados na proposta do Reino de Deus. Quando o/a jovem cria laços com a PJE devido à formação integral que o grupo realiza, dispõe de raízes fortes o suficiente para não ser arrancado da proposta pastoral pelo fim de sua passagem na escola.
“Sonhamos com jovens que sejam comprometidos com suas crenças, seus valores, e isso os faça determinados, loucos a ponto de entregarem-se por uma causa, de aplicarem seu tempo para lutar profunda e intensamente por aquilo que acreditam (...)”, que sejam “colaboradores na construção de sentido para a vida de outras pessoas. Queremos trabalhar para que os jovens se façam cada vez mais ousados, com iniciativa, capazes de construir o diferente, de criar e recriar alternativas para concretizarem seus planos, que invistam no novo, mas se apóiem em referenciais sólidos para sustentarem seu trajeto, mantendo-os fiéis aos seus compromissos, perseverantes em seus ideais”. (1MARCO REFERENCIAL DA PJE, 2004, p. 84-86).

O sonho da PJE é, em síntese, que os jovens compreendam os sentidos de suas vidas e, a partir daí, se compro_meta_m radicalmente com ele. Porém, nada faz sentido se seguirmos sozinhos. Um caminho pode ser a formação de grupos de militantes da PJE. Um grupo que tenha prática e reflexão, formado por jovens que já viveram o processo do grupo na escola, com o acompanhamento do assessor, e que hoje caminham com as próprias pernas.
Nosso sonho é que o jovem da PJE que ainda está na escola veja o grupo de militantes como uma alternativa, um espaço de luta para além dos muros da escola.

Novos horizontes
O grupo de militantes não quer ser apenas uma alternativa para a juventude que conclui o ensino médio e sai da escola. Quer ser, sobretudo, o espaço de intervenção real, o momento da ação. Nesta etapa, é chegada a hora do grupo pensar em nuclear novos grupos de _base_, articular os já existentes à proposta da PJE, organizar atividades que congreguem a juventude estudantil, articular-se às lutas populares locais, buscar alternativas para encantar mais jovens e tocar mais vidas através da proposta pastoral, de acordo com a realidade local.
Os jovens militantes da PJE, que iniciaram o processo de formação têm, fundamentalmente, muito a contribuir para construção da sociedade que se sonha. Mas para isso, precisam estar organizados.

Formas e Campos de Intervenção
Tudo começa com duas perguntas cabeludas: O que fazer? Onde atuar?
O teatro, a música, a dança, o grêmio estudantil, o debate sobre questões atuais que tocam diretamente a vida dos jovens, são formas de congregar os estudantes. Nuclear grupos em escolas públicas, atuar no movimento estudantil, nos movimentos sociais, nos partidos políticos que comungam do projeto popular e democrático de sociedade, são alternativas concretas para nunca deixarmos de militar pelo mundo que desejamos.
O que importa é que estejamos sempre juntos, organizados em torno de uma luta maior, formando-nos e formando outros jovens, assumindo uma postura crítica e organizada diante da realidade.
A PJE deve despertar nos jovens a descoberta do sentido da vida, que é o jeito de cada um comprometer-se com o projeto iniciado por Jesus Cristo e, mais do que espaço de descoberta, a PJE deve ser uma proposta de intervenção na realidade. É por isso que a militância não pode morrer no 2º ano, mas amadurecer na fé e na luta, continuamente.
O grupo de pós-médio deve ter criatividade e uma identidade própria, como uma comunidade. É importante que façam lutas juntos e que rezem juntos, que partilhem seus projetos de vida, que façam festa, que sejam companheiros. Não acreditamos que as “boas ações” individuais mudam o mundo. O que transforma de fato é o ultrapassar do individualismo e organizar-se, ou melhor, a vivência em comunidade fraterna de partilha e de luta por um mundo justo, como nos Atos dos Apóstolos (At 4,32-35).

Texto elaborado por Caio Andrade e Tábata Silveira.

Para realizar uma leitura mais agradável do texto em grupo, sugerimos que as citações – ou parte delas – estejam em cartazes, pelo ambiente, para que ao final da leitura, o grupo possa conversar sobre a proposta do texto tendo como _base_ essas ilustrações.

QUESTÕES PARA A REFLEXÃO (2ª parte)

d) Que relações podemos estabelecer entre os textos 1, 2 e 3?
e) Que aspectos destacados neste material de preparação são mais importantes na nossa realidade de Pastoral?
 
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Caio Andrade Bezerra da SIlva
caio@pjebr.org
(21) 86329806
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